Nº 56 - julho/agosto/setembro/2007
 

Editorial: ABRAPAR comemora 15 anos

Lazer: Cidades brasileiras conhecidas no mundo
Artigo Médico: Esclerose sistêmica Boa mesa: Aqueça-se no inverno

artigo médico


Esclerose Sistêmica
Profa. Dra. Virginia Fernandes Moça Trevisani, Professora Titular de Reumatologia da Universidade de Santo Amaro (UNISA) - Médica Assistente da Disciplina de Urgência e Medicina Baseada em Evidências e Professora Orientadora do Curso de Medicina Interna e Terapêutica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

 
A Esclerose Sistêmica (ES) é uma doença de causa desconhecida, crônica, que compromete principalmente as mulheres entre 30 a 50 anos de idade. A doença é rara, com incidência estimada de 19 casos por milhão e prevalência de 75 casos por 100.000 habitantes. Os três aspectos histológicos principais da doença são: ativação de células produtoras de colágeno que são os fibroblastos, lesão vascular e ativação imunológica.

Os fibroblastos ativados produzem grande quantidade de colágeno, que passa a ser depositado na pele e nos órgãos internos levando ao espessamento cutâneo progressivo e ao funcionamento inadequado dos órgãos internos comprometidos. A lesão vascular ocorre principalmente nos pequenos vasos das extremidades acarretando em diminuição no fluxo sangüíneo e lesão dos tecidos. As alterações imunológicas já ocorrem nas fases iniciais da doença tanto pela presença de infiltrado de linfócitos nos tecidos como de auto-anticorpos circulantes.

A Esclerose Sistêmica pode ser classificada em limitada ou difusa, e o que diferencia as duas formas é a extensão do espessamento cutâneo   (na limitada,  o espessamento cutâneo não ultrapassa o cotovelo e os joelhos; já na difusa, não existem limites). Existe também diferença com relação ao envolvimento
sistêmico, mais tardio na forma limitada e mais
precoce na forma difusa.

Principais manifestações clínicas:
O fenômeno de Raynaud que se caracteriza por crises de alteração na coloração das extremidades que se tornam pálidas, arroxeadas e vermelhas, geralmente desencadeadas pelo frio ou pelo estresse emocional, pode preceder até por anos às demais manifestações da doença. Esse fenômeno vasomotor ocorre também em nível sistêmico.

O acometimento cutâneo geralmente começa nas extremidades com edema que evolui para

 

espessamento. Na face, pelo espessamento da pele, ocorre além da perda das rugas naturais, afilamento nasal, diminuição da abertura bucal e afilamento dos lábios. A pele fica brilhante e alterações na coloração também podem ocorrer calcificações principalmente nas superfícies extensoras e a presença de aranhas vasculares são mais freqüentes na forma limitada da ES.

O sistema gastrintestinal é freqüentemente envolvido e o paciente pode apresentar dificuldade na progressão dos alimentos, além de obstipação, cólicas, síndrome de má absorção e a desnutrição. Artralgias e mialgias são também sintomas freqüentes e, geralmente, presentes nas fases iniciais da doença. O envolvimento inflamatório intersticial pulmonar prediz prognóstico reservado pela gravidade e conseqüências, outras formas de envolvimento pulmonar são a pneumonite aspirativa devido ao refluxo gastroesofágico, e a hipertensão nos vasos pulmonares acarretando em sobrecarga cardíaca. A alteração no fluxo sangüíneo renal leva ao que denominamos de crise renal, caracterizada por hipertensão arterial grave, perda de proteínas e sangue na urina. Se não for adequadamente tratada
pode evoluir para insuficiência renal.
O diagnóstico da ES é clínico, mas nas fases iniciais da doença quando existe
apenas a presença do fenômeno de.
Raynaud, a capilaroscopia periungueal pode ajudar no diagnóstico diferencial entre o Raynaud idiopático ou associado a ES. Da mesma forma, a presença dos marcadores sorológicos ajuda no diagnóstico precoce da doença. O fator antinuclear pode estar positivo em 90% dos casos, os anticorpos anti-centrômero estão positivos em 80% na forma limitada, e os anticorpos anti SCL-70 estão positivos em 20 a 40 % na forma difusa. Os demais exames solicitados para o diagnóstico do comprometimento sistêmico e início da terapêutica são: hemograma, urina1, creatinina, TGO, TGP. Alguns exames específicos para cada envolvimento sistêmico também podem ser necessários para conduzir a terapêutica. Exemplos são tomografia pulmonar, prova de função pulmonar, ecodopplercardiograma, endoscopia digestiva, pHmetria e manometria esofagiana.

Tratamento
O tratamento da doença pode ser
direcionado para controle dos sintomas
e para evitar a progressão da doença.
Entre as medidas necessárias para
controle dos sintomas estão: proteção
ao frio para prevenir o fenômeno de
Raynaud e alimentação fracionada e
rica em fibras (evitar bebidas gasosas
e chocolates é essencial contra o
refluxo gastroesofágico). Em relação
aos medicamentos são utilizados
vasodilatadores e protetores gástricos