Após 50 anos sem novidades, doença pode ter nova opção de tratamento.
Dr. Roger Levy, especialista em reumatologia e professor-adjunto da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Após a morte de Michael Jackson, muito se ouviu falar a respeito do Lúpus, doença da qual supostamente sofria o cantor e que afeta mais de cinco milhões de pessoas no mundo todo. Agora, um novo medicamento que está em fase de testes promete
revolucionar o tratamento da doença.
“Após cinco anos de pesquisas, cientistas da Human Genome Sciences (HGS) descobriram que quem sofre de Lúpus tem maior concentração de uma proteína estimuladora do linfócito B, responsável pela produção de anticorpos. Quando está em maior
quantidade no organismo do que o necessário, a proteína fica por mais tempo na circulação sanguínea e, portanto, produz mais anticorpos do que necessário”, explica Dr. Levy.
“Por meio de estudos, os cientistas conseguiram bloquear a proteína com uma nova droga, chamada Benlysta® (belimumab), que
foi aprovado pelo FDA para o tratamento do lúpus no dia 16/11/2010”, nos contou o médico. Segundo ele, o novo tratamento seria
feito por meio de uma aplicação venosa mensal no paciente, realizada exclusivamente em ambiente médico.
O que é a doença?
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica na qual acontecem alterações no sistema imunológico da pessoa, ou seja, o portador desenvolve anticorpos que reagem contra suas próprias células saudáveis, podendo afetar pele, órgãos e tecidos do corpo inteiro. “É uma doença autoimune, ou seja, o sistema imune se volta contra si próprio”, explica Levy. Segundo ele, a doença é mais frequente e mais grave em mulheres e, principalmente, em afrodescendentes.
Existem dois tipos de Lúpus: sistêmico e discóide. No primeiro tipo, a pessoa apresenta lesões na pele, articulações e órgãos. No segundo, tem alterações somente na pele, só que mais profundas. O sintoma mais comum nos dois casos é a mancha no rosto em formato de asa de borboleta. Algumas pessoas também apresentam cicatrizes e descamações, além de queda de cabelo.
Tratamento
Os antimaláricos são considerados a base do tratamento. O tratamento das crises é feito com corticosteróides e outros imunossupressores, ou seja, visam barrar o desenvolvimento exagerado de anticorpos. Com isso, a pessoa tem maior risco de ter infecções, além de outros efeitos causados pelo uso do medicamento no tratamento, como catarata e ganho de peso.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pela análise do quadro clínico do paciente, além de exames laboratoriais que comprovem que a pessoa tem, ao menos, quatro fatores dos 11 que são necessários para caracterizar a doença. São eles:
Critérios de pele:
1 - mancha “asa de borboleta”;
2 - lesões na pele causadas pelo sol;
3 - sensibilidade ao sol e luz;
4 - úlceras na boca e nariz;
Critérios sistêmicos:
5 - artrite;
6 - inflamação do revestimento do pulmão (pleura) e coração (pericárdio);
7 - alterações renais;
8 - alterações neurológicas;
Critérios laboratoriais:
9 - anormalidades no sangue;
10 - anormalidades imunológicas;
11 - fator antinúcleo positivo (FAN).