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Capa: Editorial

Uma nova era na abordagem dos pacientes com doenças reumáticas
Dr. Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro
Médico reumatologista

Parte 2 – Monitoramento rigoroso da atividade da doença. Qual a sua importância?

Dentro dos nossos conceitos na abordagem ao paciente com artrite reumatóide (AR), o monitoramento da atividade da doença merece destaque. A seguir, explicaremos a sua importância.
Tão importante quanto a precocidade do diagnóstico e o início imediato do tratamento é uma adequada avaliação da resposta do paciente ao tratamento instituído. Assim como ocorre com outras doenças crônicas (diabetes, hipertensão arterial e osteoporose), o prognóstico da AR depende do controle adequado da inflamação das juntas afetadas. Como ainda não sabemos a “causa” da AR, não podemos falar de um “tratamento de cura”, mas sim de um “controle” da enfermidade. Como, entretanto, pode-se saber se a doença está “controlada”?
A AR pode ser responsável por várias queixas do paciente, como, por exemplo: dor, inchaço e rigidez das articulações, sensação de cansaço ou fadiga, alterações do humor (ansiedade, depressão, alterações do sono e apetite) e anemia. Estas manifestações, isoladamente ou em conjunto, podem provocar graus variáveis de limitações na execução das tarefas da vida diária, do trabalho ou recreativas, comprometendo, desta forma, a qualidade de vida dos pacientes.
Quando se inicia um tratamento para a AR, muitas vezes, algumas dessas manifestações melhoram, outras nem tanto. Como saber, então, se o medicamento está funcionando? Será que está na dose ideal? Embora, inicialmente, empregados, apenas, nos estudos de pesquisa de novos medicamentos, os chamados “Índices compostos de atividade de doença” vêm sendo usados, cada vez mais, no atendimento de rotina dos pacientes com AR.
Esses índices são calculados levando-se em conta o número de juntas dolorosas e inchadas (geralmente, leva-se em consideração as articulações dos ombros, cotovelos, punhos, mãos e joelhos), uma estimativa, pelo paciente e pelo médico, da intensidade da atividade da doença (pergunta-se ao paciente, “considerando-se o número e a intensidade de dor, inchaço e rigidez das suas juntas, como você acha que a sua artrite está nesse momento?”) e o valor de um exame de laboratório (VHS - velocidade de hemossedimentação ou PCR – proteína C reativa) que avalia a presença de inflamação no sangue. A partir do valor calculado (feito no momento da consulta), pode-se avaliar se a resposta ao esquema de tratamento foi boa, moderada ou não ocorreu. Com esse mesmo valor obtido, pode-se, também, dizer se a doença está em remissão, baixa, moderada ou alta atividade.
A ideia básica é termos, assim como ocorre com o controle do tratamento do diabetes, com a dosagem da glicemia (açúcar no sangue) ou da hipertensão arterial, com a medida da pressão arterial, um número a ser alcançado e que traduza, de forma mais clara, se a doença está ou não “controlada”.

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É importante chamar a atenção para o fato de que, em algumas situações, esses índices não funcionam tão bem. Isso é, particularmente, verdadeiro quando o paciente já apresenta muitas juntas com deformidades ou com desgaste (artrose). Nesses casos, a dor pode não se relacionar,necessariamente, com a inflamação da articu-
lação acometida, mas sim com a deformidade ou desgaste. Outra situação que pode interferir com a interpretação desses índices é o paciente com alteração do estado emocional (p.ex.: tristeza, nervosismo ou depressão) ou com fibromialgia associada. Nesses casos, novamente, o número de juntas dolorosas e a avaliação da “atividade da doença” feita pelo paciente pode estar mais relacionada com o estado emocional ou fibromialgia e menos com a intensidade da inflamação das articulações.
Além da avaliação clínica (“Índices compostos de atividade de doença”) e laboratorial (VHS ou PCR) periódica, se possível, a cada 2 a 3 meses, é de grande importância a realização, pelo menos, uma vez ao ano, de radiografias das mãos/punhos e pés. Uma comparação das novas radiografias com as anteriores (não se deve jogar fora radiografias antigas!) permite ao médico ter certeza de que a doença não está progredindo, ou seja, não estão aparecendo (novas) erosões ósseas.
Devido aos conhecimentos que se fazem necessários para um monitoramento adequado do tratamento da AR, o reumatologista, o “clínico do aparelho locomotor”, é, sem dúvida, o especialista melhor preparado para essa tarefa.
Para maiores informações sobre doenças reumáticas ou como encontrar um reumatologista em seu bairro ou município, ligue ou visite o site da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro (21- 2549-4114) - www.reumatorj.com.br ou da Sociedade Brasileira de Reumatologia (11-3289-7165) - www.reumatologia.com.br).