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Uma nova era na abordagem dos
pacientes com doenças reumáticas

Parte 1 – A importância do diagnóstico precoce

Dr. Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro
Médico reumatologista

 

A abordagem aos pacientes reumáticos tem sofrido uma grande mudança nos últimos anos. Quatro aspectos, em especial, merecem destaque: 1- a precocidade no diagnóstico; 2 - o monitoramento rigoroso da atividade de doença; 3- as novas opções de tratamento e 4 - as comorbidades.
Utilizaremos a artrite reumatóide (AR) para explicar melhor as mudanças mencionadas acima. A artrite reumatóide é uma enfermidade caracterizada pela dor e inchaço (inflamação)das juntas, principalmente das mãos, punhos e pés. Embora não seja a doença reumática mais freqüente, a AR é a principal causa de enfermidade articular inflamatória nas mulheres adultas.

Diferentemente do que se pensava no passado, a AR não é uma doença “benigna”. Isso porque, além de provocar muita dor, ela pode levar à deformidade das articulações e à limitação progressiva dos movimentos. Em casos mais graves ou mal tratados, ela pode, até mesmo, diminuir a sobrevida dos pacientes. As quatro mudanças citadas acima têm por objetivo melhorar o prognóstico das pessoas acometidas por essa enfermidade.
A importância da precocidade no diagnóstico da AR é a mesma que ocorre com outras doenças crônicas, como, por exemplo, o diabetes, a hipertensão arterial e a osteoporose. Isso se deve ao fato de que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico,mais precocemente se inicia o tratamento específico, facilitando,assim, o controle mais rápido da doença.
É oportuno lembrar que, no caso da AR, os medicamentos indicados para o controle da doença(atividade inflamatória) são as chamadas “drogas antirreumáticas modificadoras da doença - DARMDs”. Dentre elas, o metotrexato é, sem dúvida, o medicamento maisutilizado em todo o mundo. O emprego de medicaçõesanalgésicas (por exemplo: dipirona, paracetamol, tramadol ou codeína), antiinflamatórias(por exemplo: diclofenaco, naproxeno, ibuprofeno, nimesulida,celecoxibe ou etoricoxibe) ou à base de cortisona (por exemplo: prednisona,prednisolona ou deflazacorte), embora tragam algum alívio para os sintomas de dor, não são suficientes para o controle da doença e, portanto, não previnem a progressão da mesma.

Lamentavelmente, em nosso meio, ainda ocorre um atraso considerável entre o início dos sintomas da AR e seu diagnóstico. A conseqüência direta desse retardo é o atraso no início do tratamento adequado, com as DARMDs. Essa demora no diagnóstico se deve, pelo menos em parte, a dois fatores principais. Boa parte das pessoas, quando apresentam dores nas juntas, faz uso, por conta própria, de remédios destinados, apenas, para o controle da dor, retardando, por um determinado tempo, a procura de assistência médica. Afora isso, quando procuram atendimento médico, nem sempre fazem a escolha mais adequada. O médico que, geralmente, faz o primeiro atendimento ao paciente com queixas nas juntas é um ortopedista ou um clínico geral, nem sempre familiarizados com as características iniciais da artrite reumatóide. O ortopedista deve ser consultado quando o início das dores nas juntas for relacionado com algum tipo de trauma(por exemplo: uma pancada, uma torção ou um “mau jeito”).
Deve-se pensar que pode ser AR, de início recente, quando uma pessoa apresenta, por, pelo menos, quatro a seis semanas, dor em duas ou mais articulações, principalmente, quando a junta acometida também estiver inchada e acompanhada de rigidez articular prolongada (dificuldade para movimentar uma junta, por mais de 30 minutos, após um período de repouso, por exemplo, ao acordar). Devido à sua formação médica, o reumatologista, o clínico do aparelho locomotor, é o especialista melhor preparado para o diagnóstico correto e precoce para esses casos.
Para maiores informações sobre doenças reumáticas ou como encontrar um reumatologista em seu bairro ou município, ligue ou visite o site da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro (21 2549.4114 www.reumatorj.com.br) ou da Sociedade Brasileira de Reumatologia (11 3289.7165 - www.reumatologia.com.br).