Quais são os medicamentos que
alteram a ação dos anticoagulantes?
Uma série de substâncias podem
alterar a ação dos anticoagulantes
orais, reduzindo sua ação e
aumentando o risco trombótico ou
aumentando a sua atividade e elevando
o risco de sangramento. Neste último
grupo, destacam-se a aspirina e
os demais anti-inflamatórios não
hormonais, que devem ser evitados.
A nova geração de anti-inflamatórios
inibidores específicos da enzima COX-2
(celecoxib e rofecoxib) e o analgésico
paracetamol tem pouca interferência
com a anticoagulação oral e podem
ser usados com maior segurança, mas
exigem acompanhamento pelo médico.
Quais os cuidados que o paciente
deve ter com a alimentação durante
o tratamento?
A ação do anticoagulante oral, que
se dá através da inibição da vitamina
K; se o paciente ingerir grandes
quantidades de anticoagulante, acaba
reduzindo a quantidade de vitamina
K no organismo. Recomenda-se que
o indivíduo consuma quantidades
diárias fixas de alimentos ricos em
vitamina K: os laticínios e as folhas
verdes escuras.
Quais os cuidados ao fazer uma
cirurgia durante o tratamento?
O paciente em uso de anticoagulante
oral deve avisar a todo profissional
da saúde com que for se consultar.
No caso de um procedimento
cirúrgico ou dentário, pode ser
necessário o uso de plasma,
para impedir sangramento ou
anticoagulação com heparina.
Portanto, o médico assistente que
acompanha a anticoagulação deve
ser avisado.
Quais são os cuidados que
o paciente deve ter com
sangramentos durante o
tratamento?
O paciente deve ser alertado sobre
os fatos corriqueiros que podem
levar ao risco de sangramento se
o INR estiver maior do que 6,0,
o que pode ocorrer se houver
falha da monitoração da dose
do anticoagulante oral. Ele deve
também se cuidar para evitar cortes
e acidentes (cozinha e manicure,
por exemplo). Recomenda-se gelo
e compressão e, quando possível,
elevação do local cortado. Em caso
de hemorragia, a equipe médica deve
ser imediatamente consultada. |
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Quais os riscos de uma gestação em
pacientes com SAF?
Em pacientes com Apl que já
tiveram aborto prévio, o risco de
aborto em uma próxima gestação
não tratada é de cerca de 80%.
Além de abortamentos no início
da gestação e perdas fetais (no
segundo e terceiro trimestre de
gestação), os Apl estão relacionados
a crescimento intrauterino retardado,
oligohidrâmnia (diminuição do
volume do líquido amniótico), baixo
peso fetal e insuficiência placentária.
Quais são os riscos para
as gestantes que usam os
medicamentos para tratar a SAF ?
Os inibidores da vitamina K podem
induzir malformações congênitas
quando utilizados no início da
gestação e podem ser usados
com segurança a partir de 16
semanas, desde que controlados
pela equipe médica. Esse é apenas
um dos motivos por que a gestação
da paciente com SAF deve ser
programada.
Como é o tratamento das gestantes
com SAF?
O tratamento da gestante com SAF
difere. Utiliza-se o AAS infantil e
muitas vezes hidroxicloroquina em
gestantes sem passado de aborto.
Nas pacientes com trombose
prévia ou perdas fetais recorrentes,
adiciona-se a heparina subcutânea,
que pode ser a regular, a cada 12
horas, ou a de baixo peso molecular,
a cada 24 horas.
Qual a importância do tratamento?
A SAF é reconhecida atualmente
como a trombofilia adquirida mais
comum. Deve ser considerada no
diagnóstico diferencial de tromboses
arteriais e venosas recorrentes, bem
como nas perdas fetais de repetição
e pré-eclâmpsia. Para pacientes
que já apresentaram evento
trombótico arterial ou venoso, a
chance de recorrência é alta. Essas
pessoas devem ser anticoaguladas
indefinidamente com cumarínicos,
monitorando-se o INR. A SAF é uma
doença crônica e para evitar as
consequências, que podem ser graves
ou até mesmo fatais, se requer
uma boa adesão ao tratamento. Os
pacientes devem ser esclarecidos
sobre a conduta geral e o regime
terapêutico adotado para prevenir
perdas fetais e a morbidade por
eventos trombóticos. |