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Lesões de Partes Moles

prof Prof. Dr. João Luiz P. Vaz -
Médico do Ambulatório de Doenças Auto-Imunes Reumáticas do HUGG


 

Também chamadas de “reumatismos
de partes moles”, este grupo de
doenças afeta as estruturas
periarticulares, isto é, ao redor das
articulações (juntas), tais como os
tendões dos músculos, as bursas, as
fáscias e os ligamentos. São ditas
“moles” porque não têm a dureza dos
ossos que compõem as juntas.  Estão
classificadas nas doenças de origem
mecânica (relacionadas aos
movimentos e posições das
articulações) e não auto-imunes.
Estas enfermidades levam o nome da
estrutura inflamada e do seu local,
como por exemplo:
A BURSITE TROCANTERIANA indica
que a inflamação é na bursa
do trocanter no quadril, a
EPICONDILITE é a tendinite do
epicôndilo do cotovelo, a BURSITE
ANSERINA é a inflamação
da bursa da região anserina do joelho
(parte de dentro), e assim por diante.
Algumas vezes recebem o nome de
quem as descreveu, como é o caso da
TENOSSINOVITE DE DEQUERVAIN no
punho e da CONTRATURA DE
DUPUYTREN nos dedos das mãos.
Essas estruturas servem para manter
as juntas unidas (ligamentos), realizar
o movimento dos membros (tendões)
e facilitar o escorregamento dos
tendões sobre algumas superfícies
ósseas (função das bursas ou bolsas
que contêm um líquido lubrificante).
Algumas doenças predispõem o
surgimento de lesões deste tipo,
como ocorre no diabetes melito
e no hipotiroidismo.
Clinicamente, o paciente não
consegue realizar os movimentos ou
manter determinada posição sem
sentir dor no local acometido. Podem
ter várias causas, que vão desde o uso
excessivo e/ou incorreto das juntas,
até as infecções (tuberculose e
gonorréia), sem falar no traumatismo
direto (usar sapato apertado, salto
alto por muito tempo, queda forçando
essas estruturas, entre outros).
Para o diagnóstico dessas doenças,
na maioria das vezes, basta uma boa
anamnese (história clínica do doente)

e um bom exame físico. No entanto,
alguns casos requerem o uso de
exames de imagem, como a
ultrassonografia ou a ressonância
nuclear magnética. o que está produzindo o quadro, pois, ao retirar a causa, quando possível, há uma tendência a melhorar e até curar a doença. Vale à pena lembrar que, às
vezes, o que nos dá prazer pode estar
gerando o problema.
Acompanhamos um doente que tinha
tendinite  nos dois ombros, sem
uma causa aparente. Após meses
de tratamento, sem melhora, ele
descobriu que o que mais lhe dava
prazer ultimamente (brincar com seu
filho recém-nascido, levantando-o até
o alto várias vezes seguidas) era a
causa da lesão. Assim, quando parou
de fazê-lo, conseguimos curá-lo. 
Infelizmente, a vida moderna
interfere, algumas vezes, no
tratamento.
Antigamente, não havia controle
remoto na televisão e precisávamos
nos levantar para mexer no seletor de
canais, o que não predispunha a esse
tipo de lesão, mas hoje com o uso 
excessivo desse aparelho “facilitador”,
as pessoas que têm problemas nos
dedos, sobretudo nos polegares,
muitas vezes não conseguem se curar
porque preferem usar o controle
remoto. Da mesma forma, o uso
excessivo de computadores e
joguinhos eletrônicos por horas
seguidas sem parar, ficando o
paciente, na maioria das vezes,
com uma postura errada, propicia
o surgimento destas e de outras
lesões biomecânicas.
Um dos grandes problemas
que enfrentamos, hoje, para curar
esse tipo de doença deve-se ao fato
do doente somente procurar o médico
depois de ter usado, por conta própria,
diversas medicações, mas sem a
orientação do que poderia ou não
evitar para não perpetuar a lesão.
Assim, o melhor a fazer é consultar o
reumatologista desde os primeiros
sintomas, para que seja orientado e
tratado de forma correta.