Nº 58 - outubro/novembro/dezembro/2007
 

Editorial: Mais Integração

Especial: Paz e Esperança em Forma de Árvore
Artigo Médico: Osteoporose Boa mesa: Delícia de Presente

artigo médico
 

Osteoporose

Dra. Helenice Alves Teixeira Gonçalve - Reumatologista, coordenadora do Programa de Prevenção e Diagnóstico da Osteoporose da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.s
 

Considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a “epidemia silenciosa do século”, a osteoporose é uma desordem esquelética caracterizada por força óssea comprometida, predispondo a um aumento do  risco de fratura.
A Sociedade Brasileira de Osteoporose estima que existam 5,5 milhões de brasileiros acometidos. É mais freqüente nas mulheres, principalmente na pós-menopausa, e em indivíduos de maior idade, acima de 70 anos. No homem, é considerada problema de saúde pública, sendo que 30 % é devido a hipogonadismo. O risco de fraturas de qualquer sítio entre homens é similar ao risco de desenvolver câncer de próstata:
(13%); entre mulheres, é maior que o risco de desenvolver câncer de mama, ovário ou endométrio (39,7%).

Fatores de risco

História familiar de osteoporose • raça branca, baixa estatura e peso, sexo feminino, idade avançada • menarca tardia, menopausa precoce, nuliparidade • baixa ingestão de cálcio, alta ingestão de sódio, alta ingestão de proteína animal • sedentarismo, tabagismo, alcoolismo • drogas (corticóides, heparina, methotrexate, fenobarbital, fenitoína, ciclosporina, hormônio da tireóide etc.) • fratura anterior causada por pequeno trauma.Organização do esqueleto
A osteoporose desenvolve-se como decorrência de uma desordem de remodelação óssea, um processo contínuo de formação e reabsorção óssea (acoplamento das funções dos osteoblastos e osteoclastos), relacionado à homeostasia de cálcio e fósforo. Nela ocorre um desequilíbrio no processo de remodelação, predominando a reabsorção sobre a formação e a conseqüente diminuição da massa óssea. As influências mais importantes para a ocorrência desse desequilíbrio em mulheres são idade e hipoestrogenismo, que ocorrem na perimenopausa.

Diagnóstico

É uma doença crônica e silenciosa, não apresentando sintomas até que aconteçam as fraturas ósseas. A história clínica e o exame físico são importantes na identificação de fatores de risco, tanto para a osteoporose quanto para as fraturas. As principais manifestações clínicas são as fraturas, sendo as mais freqüentes as de vértebras, fêmur e antebraço.
No exame físico, deve-se atentar para hipercifose (corcunda), abdome protuso, perda da estatura e outras deformidades esqueléticas e sinais físicos de doenças associadas à osteoporose. Exames de laboratório são pedidos para exclusão de doenças que causam perda óssea, bem como para avaliar os distúrbios do metabolismo mineral, que contribuem para perda de massa óssea.
A densitometria óssea é o exame de referência e padrão ouro para o diagnóstico. É realizada pela avaliação da coluna lombar, do colo do fêmur, fêmur proximal e/ou fêmur total e antebraço. Recomenda-se repetir a densitometria óssea em intervalos mínimos de 12 a 24 meses. O objetivo é diagnosticar os pacientes antes do acontecimento de fraturas.

Prevenção
Reconhecimento das pessoas de maior risco • dieta rica em cálcio • exercício físico de impacto • prevenção de quedas •  sol e vitamina D (15 minutos sem filtro solar) • prevenção da osteoporose induzida por medicamentos pp corticóides •  evitar álcool, tabaco, cafeína, carne vermelha em excesso e refrigerantes sabor Cola. A prevenção da osteoporose deve
começar na infância e adolescência.

Tratamentos

Medicamentoso - consiste em drogas que diminuem a reabsorção óssea ou aumentam a formação óssea: • Drogas anti-reabsortivas: bifosfonatos (etidronato, alendronato, risedronato, tiludronato, clodronato, pamidronato, ibandronato e ácido zolendrônico). Terapia de reposição hormonal; SERMS (raloxifeno); calcitonina (segunda linha, como analgésica, em casos de fraturas). • Drogas estimuladoras da formação óssea: ranelato de estrôncio – 2 mg (tanto formadora como anti-reabsortiva), teriparatida. Nunca esquecer a suplementação de cálcio e vitamina D.

Não-medicamentoso • Dieta rica em cálcio; exercício físico; reconhecimento das pessoas de maior risco. • Prevenção de quedas: boa iluminação em todo ambiente; piso antiderrapante; retirar tapetes; corrimão nas escadas; não deixar fios soltos nem brinquedos pelo chão etc. A principal fonte de cálcio na dieta é o leite e seus derivados, mas existe também em espinafre, agrião, brócolis e couve-manteiga,além de peixes (sardinhas) e gergelim.

Vitamina D • País tropical – 15 minutos de sol, no mínimo, por dia, sem filtro solar antes das 10 e após as 16 horas; • Idoso em asilo, doses de calciferol – 400 a 800 u/dia.

Exercícios  A prática regular de exercícios é de suma importância para a manutenção da densidade mineral óssea e  para o tratamento da osteoporose. Evidências demonstraram a efetividade da prática regular de exercícios para a  revenção da osteoporose na mulher, especificamente os exercícios de impacto. Em pacientes com osteoporose estabelecida, deve-se evitar exercícios de alto impacto pelos riscos de fraturas que podem acarretar. Além do efeito benéfico sobre o tecido ósseo, a prática regular de exercícios melhora o equilíbrio, a elasticidade e a força muscular
que, em conjunto, diminuem os riscos de quedas e, conseqüentemente, de fraturas.