A
artrite psoriática (AP), também conhecida como
artrite psoriásica ou osteoartropatia psoriática,
é uma das mais freqüentes doenças reumáticas,
pertencente ao grupo das moléstias com fator reumatóide
negativo, chamado de espondiloartropatias.
AP
é a mesma coisa que psoríase?
Sim. Representa 10% dos pacientes que sofrem de psoríase,
que afeta cerca de 4% da população mundial.
A psoríase é conhecida desde os tempos bíblicos
como uma doença que afeta a pele, unhas e couro cabeludo,
provocando placas em formato de gotas ou de moedas com descamações
grosseiras, tal qual uma caspa espessa; aspecto de unhasem-
dedal ou de delaminação das várias camadas
das unhas, deixando, então, um aspecto de unhas corroídas,
sujas ou com micoses. As lesões de pele variam de uma
a duas ou até uma grande quantidade, isoladas ou confluentes,
sempre elevadas em relação à superfície
da pele saudável; são de cor rósea, cobertas
de várias camadas de escamas, que se destacam quando
arrancadas, dando um
aspecto característico de vela raspada que irá
sangrar como pequenas gotas de orvalho à medida que
se aprofunda a raspagem. Evolui por longos períodos
com exacerbações e remissões. Piora no
inverno ou em crises emocionais.
Quais
são as localizações preferidas da AP?
Atinge especialmente a pele dos cotovelos, joelhos, umbigo,
nádegas, couro cabeludo, orelhas e área da barba.
Algumas novas lesões podem se desenvolver em locais
de atrito ou de pequenos ferimentos. Pode agravar-se com uma
descamação generalizada de toda a superfície
corporal, deixando o individuo com uma cor avermelhada, conhecida
como eritrodermia. Outra complicação é
conhecida como pustulose, quando tem aspecto de pequenas vesículas
de pus, principalmente na palma das mãos ou na planta
dos pés. Cada placa produz prurido ou coceira e sensação
de queimação no local, o que leva o paciente
a tentar remover com suas próprias unhas cada uma das
lesões.
A
psoríase causa outros problemas além daqueles
de pele?
Pode causar inflamações oculares, como conjuntivites
ou uveítes, além de, principalmente, os sintomas
articulares.
Quais
são os sintomas reumáticos da AP?
São dores articulares e artrites variadas, podendo
atingir, também, tendões, bacia e coluna vertebral.
Geralmente, aparecem em uma parcela de 10% de portadores de
psoríase, em geral depois de longos anos sofrendo dessa
enfermidade; entretanto, pode preceder, isto é, pode
aparecer mesmo antes do surgimento das lesões iniciais
na pele, o que torna o seu reconhecimento pelo reumatologista
bastante difícil.
Em
que idade é mais freqüente a AP?
Como a manifestação da pele surge entre 10 e
40 anos, a AP costuma ser detectada entre os 30 e 50 anos
de idade. A causa da psoríase e da AP permanece desconhecida,
mas parece existir uma predisposição genética,
tendo em vista uma evidente agregação familiar.
Não há evidências de relação
com infecções, porém a psoríase
é mais grave em aidéticos.
Existe
relação entre a intensidade da AP
e a gravidade das lesões de pele?
Não há uma evidência nítida, porém,
em alguns casos a AP é de tendência mais deformante
em pacientes com psoríase mais extensa, principalmente
com comprometimento das unhas. Nos casos de AP afetando a
coluna, é mais comum ocorrer uveíte, pois esses
pacientes são portadores do marcador genético
HLA-B27, que predispõe a esse acometimento oftálmico.
Há
um padrão típico de AP?
Existem dois padrões básicos, um afetando a
coluna e outro as articulações das extremidades.
Na coluna, a queixa é de dor lombar e nas nádegas,
de caráter inflamatório, isto é, surge
em repouso, durante o sono, e exige que o paciente se levante
para se movimentar, reduzindo a dor e a rigidez. Pode afetar
até os movimentos respiratórios, quando atinge
as articulações das costelas com a coluna torácica.
Produz, ainda, dores na nuca ou na coluna cervical. Este padrão
é do tipo espondilítico.
E
o segundo tipo?
É o periférico, atingindo as pequenas articulações
das falanges dos dedos, joelhos, tornozelos e pés.
Pode afetar tendões, gerando um aspecto típico
de “dedos-em-salsicha”, e atingir a planta dos
pés, com dores calcâneas como fascites ou bursites.
A prolongada evolução determinará, quando
não for adequadamente tratada, deformidades com lesões
radiológicas que serão características
da AP.
Existe
uma confirmação por exames?
Em geral, a avaliação em consulta com o reumatologista
é suficiente para o diagnóstico. No entanto,
pode ser difícil nos casos com discretas lesões
de pele, sem alterações de unhas ou mesmo da
pele, o que pode ocorrer em até um terço dos
casos. Os exames são indispensáveis para diferenciar
a AP de outras espondiloartropatias, da artrite reumatóide
e até da gota, uma vez que pode ocorrer elevação
do ácido úrico no sangue. O paciente muitas
vezes se surpreende com a confirmação desse
diagnóstico, na maioria das vezes por manifestar forma
discreta da doença cutânea ou por não
ter sido adequadamente examinado, por exemplo, nas unhas ou
no umbigo.
Como
se orienta o tratamento?
Esta é uma situação típica de
uma abordagem multidisciplinar. Devem atuar em conjunto o
dermatologista, o reumatologista, o fisioterapeuta, o oftalmologista
e os demais profissionais de apoio. Raramente, há necessidade
de hospitalização, a não ser nos casos
de eritrodermia quando ocorrer febre e distúrbios hidroeletrolíticos,
isto é, desidratação, perda de calor
e alterações dos íons no equilíbrio
do pH. Outra necessidade de hospitalização pode
ocorrer por suspeita de artrite piogênica, complicando,
por exemplo, um joelho previamente afetado por derrame articular.
É
verdade que o sol faz bem para psoríase?
Sim. As lesões de pele melhoram com banhos de sol,
sendo a base para o desenvolvimento da aplicação
de luz ultravioleta com psoralen. O dermatologista deverá
orientar e controlar rigorosamente este tipo de tratamento
pelo risco inerente ao bronzeamento artificial. São
necessários produtos tópicos para pele e unhas,
assim como xampus ou curativos oclusivos. Metotrexate e ciclosporina
podem ser utilizados para os casos mais extensos ou de longa
duração.
E
o tratamento da parte articular?
Sempre foram utilizados medicamentos semelhantes para tratar
AP e artrite reumatóide. Os analgésicos e antiinflamatórios
não-esteroidais, ouro, antimaláricos, sulfassalazina,
metotrexate e ciclosporina, isoladamente ou em associações,
têm sido utilizados nas últimas décadas.
As infiltrações das tendinites, fascites e mesmo
de articulações rebeldes ao tratamento medicamentoso
têm mostrado bons resultados. As órteses evitam
atitudes viciosas e deformidades. A fisioterapia pode reduzir
a dor e a rigidez, garantindo mobilidade e evitando atrofias
musculares. Os corticosteróides são usados excepcionalmente,
muitas vezes para melhorar uma fase difícil da pele
ou da parte articular; entretanto, a interrupção
súbita poderá ocasionar exacerbação
das lesões de pele. O mesmo pode ocorrer com antimaláricos,
muitas vezes prescritos inadvertidamente para outro diagnóstico.
Assim sendo, esses fármacos devem ser controlados pelo
reumatologista. O uso de metotrexate e ciclosporina requer
experiência por parte da equipe médica.
Surgiram
novidades no tratamento dessa doença?
Nos últimos cinco anos, um grupo novo de medicamentos
conhecido como agentes biológicos foi desenvolvido
para o tratamento de várias doenças reumáticas,
entre elas a AP, dando um novo alento e esperança no
alívio da dor e redução da inflamação,
evitando ou reduzindo a progressão da doença.
Como todo fármaco sofisticado e de uso injetável,
requer treinamento da equipe médica e orientação
criteriosa ao paciente e familiares, exigindo análises
prévias para sua aplicação e manutenção
em longo prazo. Os resultados iniciais indicam boa aceitação,
com poucos efeitos adversos e melhora tanto das dores articulares
como da pele.
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