Nº 54 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2006
 
 
 

   
 
artigo médico
 
Espondilite Anquilosante
Dr. Eduardo de Souza Meirelles 
Chefe do Grupo de Reumatologia do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
 
Sendo no início freqüentemente confundida com dores nas costas causadas por tensão emocional, má postura corporal, hérnia de disco ou, até mesmo, dores ciáticas, a espondilite anquilosante (EA) é, na verdade,uma forma distinta de doença reumática,que costuma envolver, com mais freqüência,as articulações da bacia, coluna, quadris e ombros.
Mais freqüente em homens jovens, costuma se iniciar por uma dor na bacia, refletindo-se nas nádegas, e uma dor nas costas, geralmente na região lombar, com duração superiora três meses, que melhora com a movimentação do corpo e piora com o repouso e a imobilidade do corpo.
Essa dor costuma piorar à noite e pela manhã ao acordar, podendo ser acompanhada de uma rigidez da bacia e da coluna no período da manhã. Não raro, seus portadores optam por um banho quente de chuveiro logo ao acordar, visando melhorar a dor e a rigidez acima mencionadas.
Embora sua causa seja desconhecida, sabemos que os portadores de um gene chamado HLA B27 têm uma chance bem maior de desenvolvê-la, sendo que a chance do fi lho de um pai portador de EA vir também a desenvolvê-la gira em torno de apenas 10%.
Apesar dos homens serem acometidos com mais freqüência, as mulheres também podem apresentá-la, na maioria das vezes com um quadro clínico mais leve, quando comparado ao dos homens. De maneira geral, quanto mais cedo se inicia a EA, maior a chance de envolvimento mais precoce e intenso das articulações periféricas, principalmente os quadris.
Cerca de um quarto dos seus portadores podem apresentar, no decorrer da vida, uma inflamação aguda e dolorosa dos olhos,conhecida como uveíte, que costuma se manifestar como um quadro clínico agudo de olho vermelho e doloroso. Esta manifestação da EA fora das articulações deve ser precocemente reconhecida e tratada, geralmente apenas com colírios locais no início.
Quando precocemente diagnosticada e corretamente tratada, o prognóstico da EA costuma ser bom, embora seja importante seu portador entender que apresenta uma doença reumática de natureza crônica, que vai necessitar de acompanhamento médico especializado, de preferência por um reumatologista qualificado.
O tratamento deve se iniciar o mais precocemente possível e baseia-se, principalmente,em medicações, exercícios e atividades físicas.Cada pessoa apresenta uma forma peculiar e distinta de EA e, portanto, o tratamento deve ser individualizado e monitorado por um(a)médico(a), de preferência reumatologista, eum(a) fisioterapeuta que tenha experiência em tratar portadores de EA.
As medicações podem ser sintomáticas ou paliativas, como os analgésicos e antiinflamatórios, ou indutoras de remissão, como os imunomoduladores, imunossupressores e agentes biológicos.
Nos últimos cinco a dez anos, houve grande progresso na eficácia e segurança dos fármacos, quer paliativos (antiinflamatórios potentes e mais seguros para o sistema digestivo), quer agentes biológicos, que embora muito custosos, costumam induzir remissões clínicas parciais ou, até mesmo, totais.
O tratamento fisioterápico e as atividades físicas são parte fundamental do tratamento,visando melhorar a dor, a rigidez, a postura corporal, a amplitude de movimentos das articulações e prevenir deformidade e incapacidades.
Se apresentar incapacidade física parcial ou total, é importante que o portador de EA saiba que tem direito legal, dependendo da gravidade, ao auxílio-doença e até mesmo,nos casos mais graves, à aposentadoria. Seu médico, o grupo ou associação que você freqüenta, ou mesmo um advogado especializado, podem orientá-lo a obter esses benefícios sociais.