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Julho/Agosto/Setembro/2006

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Editorial
Devemos cobrar mais apoio governamental para pacientes com Artrite Reumatóide (AR)
 

Artigo Médico
Agentes biológicos: uma revolução no tratamento da Artrite Reumatóide

 

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artigo médico
Agentes biológicos: uma revolução no
tratamento da Artrite Reumatóide
Prof. Sebastião Cezar Radominski, da UFPR
 
A Artrite Reumatóide (AR) é a doença inflamatória crônica articular mais comum em adultos, afetando cerca de 1% da população. Incide em mulheres na proporção de duas a três vezes mais que em homens, especialmente entre a terceira e quinta década de vida. O diagnóstico depende de uma constelação de sinais e sintomas, suportados por alterações sorológicas e radiográficas. Portanto, não existe um teste laboratorial específico para o diagnóstico da AR. O envolvimento de pequenas articulações das mãos e pés geralmente é a chave para a suspeita diagnóstica. A susceptibilidade para a AR é determinada geneticamente, sendo que os parentes de primeiro grau têm duas a três vezes mais chances de apresentar a doença. Afeta primariamente a membrana sinovial (a capa que envolve as articulações), que se torna inflamada de forma crônica, levando a erosões ósseas e a posteriores deformidades e incapacidades que interferem, de forma importante, na qualidade de vida diária.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento adequado antes que as erosões se estabeleçam. Alterações climáticas ou dietas não alteram o curso da doença. Terapias alternativas, incluindo extratos de cartilagem, não apresentam efeito superior ao placebo.

O tratamento medicamentoso sintomático está baseado no uso de analgésicos, antiinflamatórios e em pequenas doses de corticosteróides. A terapia clássica modificadora da evolução da doença está baseada na utilização de fármacos, como metotrexato isoladamente ou em associação com hidroxicloroquina ou sulfasalazina. Parcela considerável de pacientes pode obter resposta satisfatória com a inclusão do leflunomide ao plano terapêutico.

A partir de 1999, a terapia da Artrite Reumatóide apresentou uma revolução com o aparecimento dos agentes biológicos inibidores do TNF á. Esses novos fármacos interferem na inflamação inibindo o TNF á (agente causador da inflamação), por bloqueio de receptores solúveis ou por anticorpos monoclonais dirigidos contra o TNF á. O bloqueio dos receptores solúveis do TNF á é observado com o etanercepte em injeções subcutâneas duas vezes por semana em pacientes que apresentaram resposta parcial ao metotrexato isoladamente, como monoterapia ou em combinação. Uma injeção subcutânea de etanercepte uma vez por semana parece ter efeitos similares, segundo alguns estudos. Esta molécula também é eficaz em Artrite Reumatóide juvenil e nas Espondiloartropatias.

Outros dois anticorpos monoclonais anti-TNF á estão aprovados para o tratamento da AR nos EUA e no Brasil: o anticorpo monoclonal quimérico infliximabe e o anticorpo monoclonal humano adalimumabe. Os medicamentos biológicos são considerados uma evolução no tratamento da AR, impedindo o desenvolvimento da doença e de erosões ósseas que se refletem, em última análise, em incapacidades e deformidades articulares. Dessa forma, melhoram a qualidade de vida, permitindo a reintegração a uma vida societária digna.