Americano
de Reumatologia, e das diretrizes para o diagnóstico e
tratamento da Artrite Reumatóide, do Ministério
da Saúde)e extensa revisão bibliográfica.
A AR é
uma doença auto-imune de etiologia imunoinflamatória,
caracterizada por poliartrite periférica, simétrica,
que leva à deformidade e à destruição
das articulações em virtude da erosão óssea
e da cartilagem. Essa doença afeta mulheres duas vezes
mais que homens e sua incidência aumenta com a idade. Em
geral, a AR acomete grandes e pequenas articulações
em associação com manifestações sistêmicas,
como rigidez matinal, fadiga e perda de peso. Quando envolve outros
órgãos, a morbidade e a gravidade da doença
são maiores, podendo diminuir a expectativa de vida em
cinco a dez anos. Com sua progressão, os pacientes desenvolvem
incapacidade para realização de atividades diárias
e profissionais, com impacto econômico significativo para
si próprios e a sociedade. Recomendamos a leitura do Consenso
para recordação sobre o algoritmo para o tratamento
da AR.
Apesar de
datado do final de 2002, o Consenso da SBR ainda não está
totalmente validado pelo Ministério da Saúde. Quando
pacientes não reagem a duas DMARDs (Drogas Modificadoras
do Curso da Doença) e persistem com a atividade da doença,
não podem, infelizmente, contar com os avanços biotecnológicos
recentes (etanercepte e adalimumabe), com diferentes mecanismos
de ação e melhor conveniência, já que
são subcutâneos. A opção atual disponível
na listagem de alto custo (infliximabe – administrado por via
intravenosa) nem sempre leva ao sucesso de tratamento (remissão)
e, muitas vezes, não está disponível no sistema
ou requer quantidades maiores de dosagem ou menor freqüência
para manter os bons resultados.
É importante
lembrar que, em conseqüência da alta prevalência
de tuberculose em nosso meio, todos esses agentes biológicos
devem ser empregados com extrema cautela, sempre monitorados por
um reumatologista. Todos eles têm melhores resultados quando
associados ao metotrexato, evidenciados em estudos clínicos.
Por que o
Ministério da Saúde não disponibiliza todos
os avanços biotecnológicos?
Em 23/05/2006,
estivemos no Ministério da Saúde – Departamento
de Assistência Farmacêutica – Alto Custo – 8o Andar
– sala 839, com o objetivo de saber do órgão quando
será publicada a nova portaria de medicamentos de alto
custo e a situação dos novos medicamentos biológicos
para tratamento da Artrite Reumatóide e demais indicações.
As profissionais diretamente responsáveis pelo tema são
a Dra. Ana Márcia, farmacêutica Coordenadora Geral
de Medicamentos de Alta Complexidade, e a Dra. Rosa Fernanda,
farmacêutica para Medicamentos de Alto Custo.
Na ocasião,
elas enfatizaram que o Ministério publicará a nova
portaria em outubro/ 06 (antes da eleição), passando
essa a vigorar em 90 dias após a publicação,
ou seja, em 01.01.07. A nova comissão foi formada por participantes
internos do Ministério, com representantes da área
financeira e assistência farmacêutica, que terão
até final de julho/06 para apresentar esboço com
todas as drogas novas e antigas (após essa data, nenhuma
droga nova será incluída).
Qual o papel
das Sociedades de Reumatologia e associados?
Fazer com
que o Consenso Brasileiro de AR seja respeitado e participe ativamente
das Câmaras Técnicas.
Qual a importância
dos Grupos de Apoio?
Está
claro que, devido às excessivas mudanças de ministros
e cargos dentro do Ministério da Saúde, problemas
políticos e escândalos dentro da casa, a ampliação
do acesso aos medicamentos de alto custo não foi tratada
com a devida importância, não apresentando avanços
desde 2002. Em nossa opinião, os Grupos de Apoio devem
continuar cobrando do Governo uma posição mais clara
em relação ao acesso a médicos e tratamentos
adequados, ainda mais neste trimestre (julho/agosto/ setembro),
em que o Governo sinaliza possível atualização
de tratamentos disponíveis. Seus associados não
podem esperar por vontade política, sob risco de maior
progressão/seqüelas das doenças e até
mesmo invalidez permanente.
Fontes: Consenso
SBR, Dr. Antonio Carlos Ximenes, Manoel Barros Bertolo, Sebastião
Radominski, Ieda Laurindo e outros.