53

Julho/Agosto/Setembro/2006

Voltar para o menu de informativos


Editorial
Devemos cobrar mais apoio governamental para pacientes com Artrite Reumatóide (AR)
 

Artigo Médico
Agentes biológicos: uma revolução no tratamento da Artrite Reumatóide

 

Especial
As qualidades
terapêuticas
do vinho

 
lazer
A melhor música de concerto
no melhor cenário
 

Reconhecimento
Grupos de Apoioseu significado

 
Expediente
 
 
 
 
   
editorial
Devemos cobrar mais apoio governamental para pacientes com Artrite Reumatóide (AR)

Dr. Fernando Cavalcanti, Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia
e Dra. Blanca Bica, Presidente da Sociedade Carioca de Reumatologia.

 

Gostaríamos de recapitular com vocês os principais pontos do Consenso Brasileiro para o diagnóstico e tratamento da Artrite Reumatóide.

O objetivo do grupo foi estabelecer diretrizes claras e sucintas para o diagnóstico e o tratamento da doença, por meio da revisão de textos (“Guidelines for the Management of Rheumatoid Arthritis”, do Colégio

Americano de Reumatologia, e das diretrizes para o diagnóstico e tratamento da Artrite Reumatóide, do Ministério da Saúde)e extensa revisão bibliográfica.

A AR é uma doença auto-imune de etiologia imunoinflamatória, caracterizada por poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e à destruição das articulações em virtude da erosão óssea e da cartilagem. Essa doença afeta mulheres duas vezes mais que homens e sua incidência aumenta com a idade. Em geral, a AR acomete grandes e pequenas articulações em associação com manifestações sistêmicas, como rigidez matinal, fadiga e perda de peso. Quando envolve outros órgãos, a morbidade e a gravidade da doença são maiores, podendo diminuir a expectativa de vida em cinco a dez anos. Com sua progressão, os pacientes desenvolvem incapacidade para realização de atividades diárias e profissionais, com impacto econômico significativo para si próprios e a sociedade. Recomendamos a leitura do Consenso para recordação sobre o algoritmo para o tratamento da AR.

Apesar de datado do final de 2002, o Consenso da SBR ainda não está totalmente validado pelo Ministério da Saúde. Quando pacientes não reagem a duas DMARDs (Drogas Modificadoras do Curso da Doença) e persistem com a atividade da doença, não podem, infelizmente, contar com os avanços biotecnológicos recentes (etanercepte e adalimumabe), com diferentes mecanismos de ação e melhor conveniência, já que são subcutâneos. A opção atual disponível na listagem de alto custo (infliximabe – administrado por via intravenosa) nem sempre leva ao sucesso de tratamento (remissão) e, muitas vezes, não está disponível no sistema ou requer quantidades maiores de dosagem ou menor freqüência para manter os bons resultados.

É importante lembrar que, em conseqüência da alta prevalência de tuberculose em nosso meio, todos esses agentes biológicos devem ser empregados com extrema cautela, sempre monitorados por um reumatologista. Todos eles têm melhores resultados quando associados ao metotrexato, evidenciados em estudos clínicos.

Por que o Ministério da Saúde não disponibiliza todos os avanços biotecnológicos?

Em 23/05/2006, estivemos no Ministério da Saúde – Departamento de Assistência Farmacêutica – Alto Custo – 8o Andar – sala 839, com o objetivo de saber do órgão quando será publicada a nova portaria de medicamentos de alto custo e a situação dos novos medicamentos biológicos para tratamento da Artrite Reumatóide e demais indicações. As profissionais diretamente responsáveis pelo tema são a Dra. Ana Márcia, farmacêutica Coordenadora Geral de Medicamentos de Alta Complexidade, e a Dra. Rosa Fernanda, farmacêutica para Medicamentos de Alto Custo.

Na ocasião, elas enfatizaram que o Ministério publicará a nova portaria em outubro/ 06 (antes da eleição), passando essa a vigorar em 90 dias após a publicação, ou seja, em 01.01.07. A nova comissão foi formada por participantes internos do Ministério, com representantes da área financeira e assistência farmacêutica, que terão até final de julho/06 para apresentar esboço com todas as drogas novas e antigas (após essa data, nenhuma droga nova será incluída).

Qual o papel das Sociedades de Reumatologia e associados?

Fazer com que o Consenso Brasileiro de AR seja respeitado e participe ativamente das Câmaras Técnicas.

Qual a importância dos Grupos de Apoio?

Está claro que, devido às excessivas mudanças de ministros e cargos dentro do Ministério da Saúde, problemas políticos e escândalos dentro da casa, a ampliação do acesso aos medicamentos de alto custo não foi tratada com a devida importância, não apresentando avanços desde 2002. Em nossa opinião, os Grupos de Apoio devem continuar cobrando do Governo uma posição mais clara em relação ao acesso a médicos e tratamentos adequados, ainda mais neste trimestre (julho/agosto/ setembro), em que o Governo sinaliza possível atualização de tratamentos disponíveis. Seus associados não podem esperar por vontade política, sob risco de maior progressão/seqüelas das doenças e até mesmo invalidez permanente.

Fontes: Consenso SBR, Dr. Antonio Carlos Ximenes, Manoel Barros Bertolo, Sebastião Radominski, Ieda Laurindo e outros.