O
Carnaval tem origens remotas. Ao longo dos séculos, diferentes
povos desenvolveram formas variadas de comemorá-lo, alguns
quase ignorando-o, outros dando-lhe
dimensões grandiosas, como os brasileiros. A festa antecede
o início da Quaresma, período de 40 dias que a igreja
católica define como de “purificação do espírito”,
com oração e jejum, antecipando a Páscoa. Sendo
o Brasil o maior país católico do mundo, contando também
com fortes influências africanas em sua formação,
acabou por transformar os dias que antecipam esse longo período
de recolhimento em uma verdadeira explosão de alegria. Em diferentes
regiões do País, o entusiasmo com que os brasileiros
comemoram o Carnaval atrai turistas do mundo todo interessados na
música, dança, luxo e liberdade característicos
da festa. Esse é um dos elementos que identificam o País
internacionalmente,
tendo consagrado Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda como disputados
destinos turísticos. Em fevereiro e março, é
impossível viver no Brasil é ficar indiferente ao Carnaval.
Por isso, deixe a alegria fluir e contagie-se. Rio
de Janeiro.
O Carnaval do sambódromo carioca tornouse sinônimo
da data em todo o mundo. Tudo começou no início do
século 20,
quando os ranchos, desfiles de máscaras e fantasias em carros
enfeitados se estabeleceram no Rio, com grupos que usavam
fantasias luxuosas. Esses desfiles eram muito ricos e só
os mais abastados participavam.
Os pobres brincavam em desfiles semelhantes aos da nobreza, mas
com muito menos luxo. As fantasias eram imitações
mais
baratas, e a música, uma grande e empolgante batucada.
Dessas manifestações carnavalescas mais populares
surgiu, em 1929, a primeira escola de samba: a “Deixa Falar”. A
partir daí, passou-se a escolher todo ano um tema que definiria
as fantasias e a música. O resto é história.
A adesão das diversas parcelas da sociedade tornou-se crescente,
destacando
artistas e intelectuais que aderiam às escolas de samba nascentes.
Para demonstrar apreço pela cultura popular, o presidente
Getúlio Vargas reconheceu o desfile que faziam, oferecendo-lhes
condições para se estruturar melhor. A festa evoluiu
até se tornar o Carnaval carioca conhecido hoje, tão
famoso que é reproduzido em várias cidades Brasil
afora.
Salvador
Na Bahia, milhares de foliões saem pelas ruas da capital,
Salvador, dançando atrás dos trios elétricos,
caminhões sobre os quais tocam conjuntos musicais. Em 1950,
dois amigos, ao assistirem à apresentação de
uma banda pernambucana pelas ruas, perceberam que o sucesso era
tanto que as pessoas dançavam atrás. Resolveram fazer
o mesmo: restauraram um carro antigo e com ele cruzaram a cidade,
tocando guitarras
elétricas amplificadas por alto-falantes.
No ano seguinte, os dois convidaram um terceiro amigo e conseguiram
um carro mais espaçoso. Como eles eram três, batizaram
o conjunto
de “O Trio Elétrico”. Desde então, a invenção
se repete todo Carnaval, mais moderna a cada ano, agora com muitos
grupos formados por inúmeros integrantes.
Os grupos de afoxé são outra manifestação
típica do Carnaval de Salvador. Esses blocos, formados quase
que exclusivamente por negros, têm origem no período
da escravidão, quando os negros se reuniam vestindo trajes
de nobres africanos para
cantar e dançar as músicas de sua terra.
O primeiro desses grupos, chamado Embaixada Africana, surgiu em
1885. Desde então, a tradição se repete a cada
ano, com negros vestidos de príncipes cantando no idioma
nagô.
Recife
e Olinda
Outra manifestação carnavalesca nordestina – o maracatu
– também destaca a nobreza africana. Característico
de Recife e
outras cidades pernambucanas e cearenses, o maracatu tem participantes
vestidos como rei, rainha, príncipes, damas, embaixadores,
cavaleiros, índios e baianas, entre outros personagens, dançando
ao som de um batuque típico.
O cortejo segue as calungas, bonecas gigantes levadas cada uma por
uma mulher.
O frevo também marca o Carnaval pernambucano, rincipalmente
em Recife e Olinda. Dançarinos se apresentam nas ruas ao
som desse ritmo frenético, executando passos acrobáticos.
Não por acaso, o termo frevo deriva de ferver, ou “frever”,
na prosódia peculiar do Nordeste.
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