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| artigo
médico |
| Artrite
Reumatóide (AR) ou |
| Doença
Reumatóide (DRe)? - Parte I |
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| Artigo
redigido pelo Dr. Flávio Monteiro de Barros Maciel, médico
do Laboratório de imunologia do Instituto do Coração
(InCor)A artrite reumatóide (AR) é uma doença
de causa desconhecida, caracterizada por artrites simétricas,
que leva à deformidade e à destruição
das articulações, em virtude da erosão do osso
e da cartilagem. As articulações mais afetadas são
as periféricas (mãos,punhos, joelhos, tornozelos e pés)
e,raramente, há alterações nas articulações
centrais (coluna vertebral e sacro-ilíacas). Sua causa é
desconhecida, mas sabemos que aAR é uma doença auto-imune,
ou seja, os anticorpos são anormalmente produzidos pelo paciente
contra ele próprio, causando dano ao osso e à cartilagem
presente nas articulações. A AR afeta mulheres duas
vezes mais que os homens e sua incidência aumenta com a idade.Normalmente,
a AR ataca as grandes e pequenas articulações e também
ocorrem manifestações clínicas gerais, não
articulares, como fraqueza, febre baixa, perda de pesoe indisposição.
Quando a doença envolve outros órgãos como coração,
pulmão e intestino, sua gravidade é maior e ela pode
diminuir a expectativa de vida em 5 a 10anos. Justamente pelo fato
da doença não ser exclusivamente articular, alguns médicos,“puristas”
da linguagem, propuseram a mudança do nome AR para DRe (Doença
Reumatóide). Mas o nome AR é tão conhecido e
forte que, apesar de mais correto, o termo DRe não “pegou”,
sendo muito mais comum nos referirmos à doença como
AR.Com a progressão da AR, os pacientes desenvolvem incapacidade
para a realização de suas atividades diárias
(tanto em casa como na profissão), e isso causa um impacto
econômico e social muito negativo, tanto para o paciente quanto
para a sociedade. |
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| Diagnóstico |
| O
diagnóstico depende da associação de uma série
de sinais e sintomas clínicos,achados laboratoriais e radiológicos,
extremamente técnicos, que não serão objeto desse
artigo. Como orientação aos usuários do GRUPARJ,
a recomendação é que procurem sempre um reumatologista.
Ele é o clínico do aparelho locomotor e poderá
ajudá-lo em todos os aspectos. A lista dos reumatologistas
brasileiros está no sítio da Sociedade Brasileira de
Reumatologia - SBR - www.reumatologia.com.br
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| Tratamento |
| O
diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento
são fundamentais para o controle da atividade da doença
e para prevenir incapacidade funcional e lesão articular irreversível.
Os objetivos principais do tratamento do paciente com AR são:
prevenir ou controlar a lesão articular,prevenir a perda de
função e diminuir a dor,com o objetivo de tentar maximizar
a qualidade de vida dos mesmos. A remissão completa, apesar
de ser o objetivo final do tratamento, raramente é alcançada.O
tratamento começa com a educação do paciente
e de seus familiares sobre sua doença, bem como com a divulgação
de todas as suas possibilidades, com riscos e benefícios. O
acompanhamento multidisciplinar é necessário, preferencialmente
sob a orientação do reumatologista e inclui o fisiatra,
o ortopedista, o psicólogo, o terapeuta ocupacional e o fisioterapeuta.Nele,
deve ser considerado um processo dinâmico, sendo constantemente
reavaliado.As decisões quanto ao planejamento terapêutico
devem ser sempre compartilhadas com o paciente. |
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| Tratamento
não-medicamentoso |
| Considerando
o potencial incapacitante deste tipo de doença, o acompanhamento
desses pacientes do ponto de vista funcional deve ocorrer desde o
início da doença com orientação e programas
terapêuticos,dirigidos à proteção articular
e à manutenção do estado funcional do aparelho
locomotor e do sistema cardiorespiratório. Fisioterapia e terapia
ocupacional também contribuem para que o paciente possa continuar
exercendo as atividades da vida diária.A proteção
articular deve garantir o fortalecimento da musculatura periarticular
e um adequado programa de flexibilidade,evitando o excesso de movimento
e privilegiando as cargas moderadas. O condicionamento físico,
envolvendo atividade aeróbia, exercícios resistidos,
alongamentos e relaxamento, deve ser estimulado, observando-se os
critérios de tolerância ao exercício e à
fadiga. A restrição dos movimentos -órteses -
tem como objetivo aliviar as dores mioarticulares pela estabilização
articular, contenção e realinhamento. Sua utilização
deve ser intermitente, exceção feita às órteses
para os pés. O papel do repouso e exercício deve ser
enfatizado, reconhecendo-se que a degeneração articular
na AR é maior quando o repouso é prolongado. A estratégia
terapêutica deverá contemplar períodos alternados
de atividades e repouso,este sempre em posição funcional. |
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| Tratamento
medicamentoso |
A
terapêutica do paciente varia de acordo com o estágio
da doença, sua atividade e gravidade, devendo-se ser mais agressivo
no tratamento quanto mais agressiva for a doença. Para o controle
da dor e do processo inflamatório articular, o uso de antiinflamatórios
não hormonais (AINHs) e doses baixas de glicocorticóides
(no máximo até 15 mg de prednisona ao dia), que também
podem ser utilizadas de forma intermitente, particularmente em pacientes
com doença de difícil controle ou enquanto se aguarda
a ação de drogas modificadoras do curso da doença,
é um importante adjuvante à terapêutica de base.
Paciente sem uso prolongado de glicocorticóides devem receber
suplementação de cálcio(1500 mg/cálcio
elementar) e vitamina D(800 UI) ou sua forma ativada (alfacalcidiol
ou calcitriol). O uso de agentes antireabsortivos é indicado.
Não há estudos mostrando diferenças na eficácia
entre os diversos AINHs disponíveis. Quanto aos inibidores
mais seletivos da COX-2, a vantagem comprovada tem sido em relação
à ausência de efeitos gastrintestinais. O uso de analgésicos
opióides pode se fazer necessário em alguns pacientes.
Infiltrações com glicocorticóides estão
indicados nos casos de artrite única e persistente.
As drogas modificadoras do curso da doença (DMCD) devem ser
indicadas logo no início do tratamento (dos 3 aos 6 primeiros
meses) para todos os pacientes com diagnóstico estabelecido
de AR. São elas: Hidroxicloroquina, Sulfasalazina, Metotrexato,
Leflunomide e Ciclosporina. |
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Fonte:
Consenso sobre Artrite Reumatóideda
Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Veja
na próxima edição a continuação
deste artigo.
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