Nº 50

Outubro/Novembro/Dezembro/2006

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Artrite Reumatóide (AR) ou Doença Reumatóide (DRe)? - Parte I
 
Editorial
 
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Mensagem para os aniversariantes
 
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Expediente

artigo médico
Artrite Reumatóide (AR) ou
Doença Reumatóide (DRe)? - Parte I
 
Artigo redigido pelo Dr. Flávio Monteiro de Barros Maciel, médico do Laboratório de imunologia do Instituto do Coração (InCor)A artrite reumatóide (AR) é uma doença de causa desconhecida, caracterizada por artrites simétricas, que leva à deformidade e à destruição das articulações, em virtude da erosão do osso e da cartilagem. As articulações mais afetadas são as periféricas (mãos,punhos, joelhos, tornozelos e pés) e,raramente, há alterações nas articulações centrais (coluna vertebral e sacro-ilíacas). Sua causa é desconhecida, mas sabemos que aAR é uma doença auto-imune, ou seja, os anticorpos são anormalmente produzidos pelo paciente contra ele próprio, causando dano ao osso e à cartilagem presente nas articulações. A AR afeta mulheres duas vezes mais que os homens e sua incidência aumenta com a idade.Normalmente, a AR ataca as grandes e pequenas articulações e também ocorrem manifestações clínicas gerais, não articulares, como fraqueza, febre baixa, perda de pesoe indisposição. Quando a doença envolve outros órgãos como coração, pulmão e intestino, sua gravidade é maior e ela pode diminuir a expectativa de vida em 5 a 10anos. Justamente pelo fato da doença não ser exclusivamente articular, alguns médicos,“puristas” da linguagem, propuseram a mudança do nome AR para DRe (Doença Reumatóide). Mas o nome AR é tão conhecido e forte que, apesar de mais correto, o termo DRe não “pegou”, sendo muito mais comum nos referirmos à doença como AR.Com a progressão da AR, os pacientes desenvolvem incapacidade para a realização de suas atividades diárias (tanto em casa como na profissão), e isso causa um impacto econômico e social muito negativo, tanto para o paciente quanto para a sociedade.
 
Diagnóstico
O diagnóstico depende da associação de uma série de sinais e sintomas clínicos,achados laboratoriais e radiológicos, extremamente técnicos, que não serão objeto desse artigo. Como orientação aos usuários do GRUPARJ, a recomendação é que procurem sempre um reumatologista. Ele é o clínico do aparelho locomotor e poderá ajudá-lo em todos os aspectos. A lista dos reumatologistas brasileiros está no sítio da Sociedade Brasileira de Reumatologia - SBR - www.reumatologia.com.br .
 
Tratamento
O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fundamentais para o controle da atividade da doença e para prevenir incapacidade funcional e lesão articular irreversível. Os objetivos principais do tratamento do paciente com AR são: prevenir ou controlar a lesão articular,prevenir a perda de função e diminuir a dor,com o objetivo de tentar maximizar a qualidade de vida dos mesmos. A remissão completa, apesar de ser o objetivo final do tratamento, raramente é alcançada.O tratamento começa com a educação do paciente e de seus familiares sobre sua doença, bem como com a divulgação de todas as suas possibilidades, com riscos e benefícios. O acompanhamento multidisciplinar é necessário, preferencialmente sob a orientação do reumatologista e inclui o fisiatra, o ortopedista, o psicólogo, o terapeuta ocupacional e o fisioterapeuta.Nele, deve ser considerado um processo dinâmico, sendo constantemente reavaliado.As decisões quanto ao planejamento terapêutico devem ser sempre compartilhadas com o paciente.
 
Tratamento não-medicamentoso
Considerando o potencial incapacitante deste tipo de doença, o acompanhamento desses pacientes do ponto de vista funcional deve ocorrer desde o início da doença com orientação e programas terapêuticos,dirigidos à proteção articular e à manutenção do estado funcional do aparelho locomotor e do sistema cardiorespiratório. Fisioterapia e terapia ocupacional também contribuem para que o paciente possa continuar exercendo as atividades da vida diária.A proteção articular deve garantir o fortalecimento da musculatura periarticular e um adequado programa de flexibilidade,evitando o excesso de movimento e privilegiando as cargas moderadas. O condicionamento físico, envolvendo atividade aeróbia, exercícios resistidos, alongamentos e relaxamento, deve ser estimulado, observando-se os critérios de tolerância ao exercício e à fadiga. A restrição dos movimentos -órteses - tem como objetivo aliviar as dores mioarticulares pela estabilização articular, contenção e realinhamento. Sua utilização deve ser intermitente, exceção feita às órteses para os pés. O papel do repouso e exercício deve ser enfatizado, reconhecendo-se que a degeneração articular na AR é maior quando o repouso é prolongado. A estratégia terapêutica deverá contemplar períodos alternados de atividades e repouso,este sempre em posição funcional.
 
Tratamento medicamentoso
A terapêutica do paciente varia de acordo com o estágio da doença, sua atividade e gravidade, devendo-se ser mais agressivo no tratamento quanto mais agressiva for a doença. Para o controle da dor e do processo inflamatório articular, o uso de antiinflamatórios não hormonais (AINHs) e doses baixas de glicocorticóides (no máximo até 15 mg de prednisona ao dia), que também podem ser utilizadas de forma intermitente, particularmente em pacientes com doença de difícil controle ou enquanto se aguarda a ação de drogas modificadoras do curso da doença, é um importante adjuvante à terapêutica de base. Paciente sem uso prolongado de glicocorticóides devem receber suplementação de cálcio(1500 mg/cálcio elementar) e vitamina D(800 UI) ou sua forma ativada (alfacalcidiol ou calcitriol). O uso de agentes antireabsortivos é indicado. Não há estudos mostrando diferenças na eficácia entre os diversos AINHs disponíveis. Quanto aos inibidores mais seletivos da COX-2, a vantagem comprovada tem sido em relação à ausência de efeitos gastrintestinais. O uso de analgésicos opióides pode se fazer necessário em alguns pacientes. Infiltrações com glicocorticóides estão indicados nos casos de artrite única e persistente.
As drogas modificadoras do curso da doença (DMCD) devem ser indicadas logo no início do tratamento (dos 3 aos 6 primeiros meses) para todos os pacientes com diagnóstico estabelecido de AR. São elas: Hidroxicloroquina, Sulfasalazina, Metotrexato, Leflunomide e Ciclosporina.
 
Fonte:
Consenso sobre Artrite Reumatóideda
Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Veja na próxima edição a continuação deste artigo.