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Excessivo - Saiba o que é Hiper-Hidrose
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Suor
Excessivo – Saiba o que é hiper-hidrose
Artigo
redigido por Dr. José Ribas Milanez de Campos – Cirururgião
torácico e Dr. Paulo Kauf Kauffman – Cirururgião vascular,
e extraído da publicação do Espaço Saúde
do Hospital Israelita Albert Einstein
A
transpiração
A
transpiração constitui um mecanismo importante na regulação
da temperatura do corpo. Em geral, ela aumenta, principalmente, quando
há elevação da temperatura ambiente, prática
de exercícios físicos e estímulos psíquicos
(como medo, pavor, emoções violentas, etc.). A secreção
do suor é estimulada pelo sistema nervoso simpático, parte
esta integrante do chamado sistema nervoso autônomo (ou automático),
que funciona independentemente de nossa vontade e regula nossa respiração,
digestão e nossos batimentos cardíacos.
No entanto, alguns indivíduos hiperemotivos transpiram de forma
excessiva – particularmente nas mãos (hiper-hidrose palmar), nos
pés (hiperhidrose plantar), nas axilas (hiper-hidrose axilar),
na face e no couro cabeludo (hiper-hidrose craniofacial) –, sem que haja
motivação aparente para que isso ocorra e mesmo sem praticar
exercícios. Diz-se, então, que são portadores da
chamada hiper-hidrose emocional ou primária, cuja causa não
é conhecida. Curiosamente, essa sudorese excessiva só se
manifesta quando a pessoa está acordada (não ocorre em alguém
sedado ou dormindo). Manifesta-se igualmente em ambos os sexos, porém,
a mulher, por seu próprio temperamento, aceita menos essa condição,
procurando tratamento com maior freqüência. Daí a aparente
prevalência da doença nas mulheres em nosso meio.
A hiper-hidrose palmar costuma surgir na infância, agravando-se
na época da puberdade, período de transição
entre a infância e a fase adulta, em que a instabilidade emocional
se acentua. Algumas vezes, há melhora da condição
com o amadurecimento psíquico, entretanto, muitas vezes, os sintomas
persistem durante toda a vida. Já a hiper-hidrose axilar surge,
geralmente, na época da puberdade e a craniofacial, habitualmente,
na idade adulta. Na maioria dos casos, o excesso de suor palmar predomina
sobre o plantar e sobre o axilar.
Entende-se esse fato porque as mãos constituem segmento de relação
do indivíduo com outras pessoas e com o meio em que vive. Além
disso, as mãos participam ativamente da grande maioria dos esportes
que praticamos e são as peças mais delicadas e reguladoras,
tanto dos equipamentos, quanto das máquinas usadas durante nossas
atividades. As extremidades das mãos afetadas, por transpirarem
excessivamente, apresentam-se frias e, por vezes, arroxeadas. Essa manifestação,
evidentemente, causa embaraços, interferindo diretamente em qualquer
tipo de movimento e nas esferas educacional, social, afetiva e profissional
do indivíduo.
A pessoa tende a se isolar, evitando festas, reuniões sociais e,
até mesmo, namoro, pois se sente constrangida em “molhar” tudo
o que toca; anda permanentemente com um lenço nas mãos para
secá-las.
Do ponto de vista profissional, as mãos úmidas podem incapacitar
o indivíduo para determinados trabalhos. É o caso, por exemplo,
de profissionais que lidam com equipamentos e/ou materiais elétricos.
Nos casos em que a força de preensão tem que ser mantida,
podemos imaginar que certamente a eficiência do movimento e a concentração
do atleta estarão completamente comprometidas.
A hiper-hidrose plantar, em geral, acompanha a palmar e é agravada
pelo uso de calçados fechados, que ajudam a promover lesões
na pele. Além de ocasionar odor penetrante nas meias e sapatos,
o excesso de transpiração nos pés favorece a ocorrência
de infecções fúngicas (micoses) ou bacterianas (abscessos).
Mais: determina o fato desagradável de escorregar em superfícies
lisas, impossibilitando de usar sandálias e molhar o chão
em quase todas as superfícies em que se pisa. Quando a hiperhidrose
axilar é predominante, um dos fatores mais notados e marcantes
é a preferência quase que absoluta por roupas brancas ou
pretas, pois são as únicas que podem ser usadas sem que
o suor excessivo seja notado nessa região, sem mencionar, como
agravante, a bromidrose (suor com odor desagradável), que também
pode acompanhar o quadro.
O diagnóstico da hiper-hidrose primária é clínico,
sendo que a história do início dos sintomas na infância,
com o agravamento na puberdade, é suficiente para caracterizá-la.
No exame físico, constata-se a transpiração significativa
nas regiões citadas, que costuma ser bem evidente na ocasião
da consulta – pela maior tensão emocional que o exame médico
acarreta. Dependendo da intensidade, a hiperhidrose pode ser tratada clínica
ou cirurgicamente. O tratamento clínico pode ser feito com o uso
da iontoforese (correntes elétricas aplicadas a soluções
que banham as regiões
afetadas) ou com o uso da toxina botulínica, cujo efeito é
transitório, durando de quatro a seis eses.
O único tratamento definitivo para essa condição
é o cirúrgico, que consiste na retirada de pequenas porções
do sistema nervoso autônomo (gânglios da cadeia simpática),
por meio da cirurgia chamada simpatectomia torácica, na extensão
necessária para abolir a sudorese na região afetada. Quando
a hiperhidrose é só axilar, pode-se também fazer
uma operação local, retirando-se glândulas sudoríparas
das axilas. A simpatectomia torácica por via endoscópica
utilizando o sistema de vídeo passou a ser realizada no tratamento
da hiperhidrose a partir da década de 1990. A operação
é realizada em aproximadamente 30 a 40 minutos, com somente duas
pequenas incisões (de 0,5 cm) de cada lado do tórax, e o
paciente recebe alta hospitalar, em geral, com menos de 24 horas.
Após analisarmos mais de 800 pacientes operados, podemos tiras
as seguintes conclusões: a) a eficácia do procedimento está
próxima de 99% para a hiper-hidrose palmar, a axilar e a craniofacial;
b) cerca de 60% deles também melhoram da hiper-hidrose plantar
com esse procedimento, apesar de o procedimento cirúrgico não
ser específico para os pés; c) o maior inconveniente da
simpatectomia torácica é a hiper-hidrose vicariante (sudorese
que, geralmente, aparece no tronco), que pode ser leve ou moderada em
cerca de 60% dos pacientes e acentuada em cerca de 4%, particularmente
em ambientes aquecidos, após exercícios físicos e
em pacientes com excesso de peso; d) apesar desse inconveniente, a grande
maioria (96,1%) desses pacientes refere satisfação plena
com a operação; e) a simpatectomia torácica por vídeo
tornou esse procedimento cirúrgico simples, pouco agressivo e de
melhor aceitação pelos pacientes.
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