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Falar sobre dores da alma é falar
sobre um tipo de dor muito mais atroz do que as dores físicas, até
porque as dores da alma influenciam diretamente na intensidade com
que sentimos as dores no nosso corpo. Essas dores podem ser muito
bem traduzidas por uma noite escura, ou um grande vazio, como se
tivéssemos nos deparando com um abismo infinito, do qual nos parece
nunca mais sairemos para encontrar o caminho de volta para a luz.
É como se a vida, ou o destino, tivesse levado para longe de nós
o nosso sonho de felicidade. Segundo a medicina e a psicologia,
podemos dizer que fomos assolados pela depressão. A depressão se
divide, básica e didaticamente, em duas categorias. E eu digo didaticamente,
porque na maioria das vezes essas duas categorias podem ocorrer
simultaneamente. A primeira é chamada de depressão biológica.
É aquela que ocorre em função de um distúrbio bioquímico cerebral,
independente da existência de fatores externos. Segundo alguns estudos,
há predisposições genéticas envolvidas e o tratamento se faz, necessariamente,
através do uso de medicamentos. A segunda categoria é chamada de
depressão reativa, ou seja, ocorre a partir de um evento
traumático e devemos contar com a capacidade adaptativa do ser humano,
através dos seus mecanismos de defesa psíquicos, para dar conta
desse tipo de sofrimento. Entretanto, em alguns casos, faz-se necessário
o uso de algum medicamento que possa acelerar esse processo adaptativo.
Vamos conhecer um pouco mais sobre os sintomas dessas duas categorias
de depressão. Os sintomas da depressão biológica são os seguintes:
desânimo, distúrbios do sono, sensação de vazio, tristeza inexplicável,
ausência de prazer, idéias de suicídio, diminuição da libido e da
autoestima. Um dos critérios que classifica esses sintomas como
depressivos é a persistência deles por mais de duas semanas. No
entanto, como a intensidade desses sintomas varia, há pessoas que
são deprimidas há anos e nunca procuraram a ajuda do psiquiatra
e são essas as pessoas que guardam em si a sensação que estão passando
pela vida, sem contudo, realmente VIVER! A segunda categoria de
depressão chama-se reativa. Ela sempre ocorre medianteum evento
traumático. Eu poderia citar dezenas de exemplos, mas há uma palavra
que muito bem os resume: PERDA! A perda do nosso sonho de felicidade!
Somente quem já passou por esse tipo de perda sabe o quanto dói
bem lá no fundo da alma da gente. As reações ao evento traumático
são os seguintes:
Choque – é como um atordoamento; é como se não acreditássemos
que aquilo nos aconteceu. Pode durar horas e, às vezes, até mesmo
anos!
Negação – é um mecanismo de defesa que nos protege contra
o sofrimento e contra o enfrentamento imediato das mudanças bruscas
que teremos que enfrentar. É como uma anestesia em nossa alma, para
que a bênção do tempo que passa, possa nos ajudar a aceitar a nossa
perda. Infelizmente, algumas pessoas buscam a droga, o álcool ou
o isolamento voluntário, a fim de continuar fugindo da sua dura
realidade. Muito desse comportamento se deve a um outro sentimento
muito comum às noites escuras da alma, que é o sentimento de culpa.
Culpa – é um sentimento geralmente irracional, como se pudéssemos
ter feito algo para evitar a perda, mas não o fizemos... E quando
a pessoa verifica que não pode alterar a realidade, o próximo sentimento
a surgir é a raiva.
Raiva – é quando se verifica que perdemos o controle sobre
o nosso destino, sobre o outro e até sobre DEUS! A raiva geralmente
é o resultado de uma grande frustração. Sentimos raiva de alguém
ou de algo quando as coisas não acontecem do jeito que planejamos.
Mas quem foi que nos disse que sempre tem que ser da maneira que
a gente quer? E a vontade do outro? E os planos de Deus? E como
é difícil se acostumar com perguntas sem respostas, o que nos resta
é a tristeza profunda que assola as nossas almas. Tristeza que nos
traz uma outra pergunta: para quê? Para que continuamos a viver,
se é para viver assim, tão infeliz? Quem nos responde isso é Lettie
Cowman quando nos diz: “A provação vem não só para testar o nosso
valor, mas para aumentá-lo. O carvalho não é apenas testado, mas
fortalecido pelas tempestades”. Mas como? Essa deve ser a pergunta
mais importante de nossas vidas! COMO eu tenho vivido? Se você tem
passado a vida olhando para trás pensando no que perdeu, ou olhando
para frente, ansioso com o que ainda virá, você pode estar perdendo
um dos maiores e mais importantes espetáculos que está acontecendo
agora mesmo e que se chama: HOJE! Para isso, vamos pensar no dia
de hoje! Quantas pessoas estão nesse exato momento internadas, recebendo
a notícia de que não vão mais poder andar... nunca mais... ou que
ficarão cegas e não poderão ver o sorriso lindo de uma criança feliz,
ou uma flor se abrindo na primavera? Agora, olhe para você! Me diga:
quão abençoado é você! Então, temos ou não mil e uma bênçãos pelas
quais agradecer? Sabe por quê? Porque “embora ninguém possa
voltar atrás e escrever um novo começo, cada um de nós pode começar
agora a escrever um novo final para a sua história”. Entretanto,
existe uma outra ferida em nossa alma que pode nos atrapalhar a
escrever o roteiro da nossa história. É a ansiedade.
Ansiedade – é o resultado do descontrole dos nossos pensamentos.
Quando deixamos os nossos pensamentos cavalgarem desordenadamente,
quais cavalos selvagens somos levados para o precipício do medo,
da insegurança, e em casos mais graves, da certeza de que seremos
atingidos em cheio por alguma tragédia iminente, como acontece aos
que desenvolveram a síndrome do pânico, por exemplo. Esses são alguns
dos sintomas da ansiedade: preocupação excessiva, tensão muscular,
cansaço extremo, diminuição da concentração e, portanto, da memória,
distúrbios do sono, irritabilidade, etc. Ansiosos, sofremos a influência
dessa ansiedade em nossos corpos, provocando o que chamamos de “somatização
ansiosa”. Eis aqui alguns exemplos desse tipo de somatização: intensificação
de dores físicas préexistentes, ejaculação precoce, dor de cabeça,
aumento da pressão arterial, falta de ar, taquicardia, impotência,
diabetes, gastrite, etc. E da mesma forma que o melhor antídoto
contra a depressão reativa é a gratidão pelas bênçãos que temos,
também há alguns antídotos contra a ansiedade, que são os seguintes:
medicamentos controlados pelo médico, respiração profunda (se respirarmos
profundamente com mais freqüência, menos tensos ficaremos!), aceitação
da nossa realidade, que é diferente de nos conformarmos com ela,
perdão para nós mesmos se nos sentimos culpados por algo e também
para o outro se o culpamos de algo, porque não há veneno mais letal
do que o ressentimento. Precisamos ter paciência, fé, contemplação
da perfeição da Vida , viver no aqui e no agora e ter muito prazer,
tanto nas pequenas, quanto nas grandes coisas da vida! O prazer
serve para nos ajudar nessa tarefa. E quando nada disso funcionar,
ainda poderemos contar para Deus sobre o nosso sofrimento através
da oração e, através da meditação, ouvir o próprio Deus a nos dizer
que “somos todos anjos de uma asa só e somente podermos voar se
abraçados uns aos outros”... E como somos muito obedientes ao Altíssimo,
é assim que terminaremos esse nosso texto de hoje. Vamos nos levantar
agora mesmo e oferecer abraço repleto de alegria, amor e a mais
profunda paz para os nossos companheiros de vida, seja os da nossa
família, do nosso trabalho, e oferecer uma prece para todas as pessoas
que sofrem nesse mundo, nesse momento, ficando assim cada vez mais
perto do Grande e Amoroso Pai. E eu digo a todos vocês que acabaram
de me ler: muito obrigada pelo carinho e pela atenção de vocês!
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